União Europeia diz estar de olho nas ações e não nas palavras de Bolsonaro

Para a União Europeia, o importante não são as palavras mas as ações, disse, nesta terça-feira (20), em Brasília, novo embaixador da UE no Brasil, Ignacio Ybáñez, durante encontro com um grupo de jornalistas brasileiros e correspondentes estrangeiros.

Ele respondeu a uma pergunta sobre críticas do presidente Jair Bolsonaro a líderes europeus. O diplomata lembrou que o chefe de Estado brasileiro sempre falou, desde a campanha eleitoral, em dar prioridade às relações com os Estados Unidos, mas o primeiro resultado comercial concreto de seu governo foi o acordo de livre comércio Mercosul-União Europeia.

Nesse sentido, os negociadores brasileiros tiveram uma posição bastante positiva para superar as divergências entre ambas as partes, após vinte anos de negociações.

Ignacio Ybáñez, neste seu primeiro contato com a imprensa, destacou, no entanto, que é conveniente que haja um ambiente positivo e que uma política de confronto não ajuda o acordo, que deve ser visto pelos benefícios que oferece de uma maneira global e não apenas por eventuais prejuízos que sofram alguns setores.

Acrescentou que há um consenso no sentido de que tanto as autoridades brasileiras quanto as europeias devem defender o documento, visando sua aprovação pelos parlamentares.

Ele explicou que o texto final só estará pronto no princípio do ano que vem e então será submetido à análise dos juristas europeus. Será decidido se o Parlamento Europeu terá sozinho a responsabilidade por sua aprovação ou se será necessário submetê-lo ao Poder Legislativo de cada um dos países membros do bloco.

No caso do Mercosul, já está decidido que os parlamentos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai terão que aprovar ou rejeitar o acordo.

Ybáñez, que já foi vice-ministro das Relações Exteriores da Espanha e embaixador em Moscou, entre outras importantes missões, disse que no caso da União Europeia, o acordo entrará em vigor para todo o bloco.

Já no Mercosul, assim que o Congresso brasileiro aprovar o documento, o Brasil já estará incluído no livre comércio, mesmo que o Legislativo de outros países ainda não tenha se manifestado sobre o acordo. Ou seja, cada país depende de seu próprio parlamento.

O chefe da Delegação da União Europeia no Brasil destacou, igualmente, que o acordo não tem apenas uma dimensão econômica e comercial, mas abrange temas como meio ambiente, direitos humanos e defesa das minorias.

Assim, tratados internacionais como o Acordo de Paris sobre o Clima são parte integrante do documento.

Para Ignacio Ybáñez, o final bem-sucedido dessa longa negociação é o ponto culminante de uma parceria estratégica da UE com o Brasil.

E mostra que a Europa e os países sul-americanos acreditam no livre comércio, no momento em que há uma realidade internacional negativa, com o aumento de políticas protecionistas e guerras comerciais, como a existente entre Washington e Pequim.

Aliás – lembrou – os investimentos de empresas da União Europeia no Brasil superam às feitas na China e na Índia juntas.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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