Um “Hard Brexit” ameaça Bélgica, que tem economia voltada para exportação

Com a economia voltada para a exportação, a Bélgica vê o chamado “Hard Brexit”, a saída sem negociação do Reino Unido da União Europeia, como uma enorme nuvem que paira sobre o país. Foi o que disse o embaixador da Bélgica, Patrick Herman, em entrevista exclusiva a Bacuri Brasil.

O embaixador da Bélgica, Patrick Herman, em foto na embaixada belga, em Brasília. Foto: Claudia Godoy.

Herman chama o Brexit de “espada de Dâmocles, sem dúvida gigante” e de uma ” nuvem enorme acima da economia belga”. A lenda da espada de Dâmocles nasceu na história da Grécia há 2400 anos. É uma metáfora do perigo que se corre na busca do poder, que foi recolhida depois pelo escritor romano Ovidio.

Herman na embaixada da Bélgica. Foto: Claudia Godoy.

Considerada um dos três países mais abertos do mundo, a Bélgica tem 85% do PIB (Produto Interno Bruto, volume de riqueza gerado pelo país) composto pelas exportações. “O Reino Unido recebe mais de 8% de nossas exportações, o que significa que em caso de “Hard Brexit” poderia haver efeito desastroso nos empregos e no crescimento da Bélgica. “Poderia nos colocar de maneira breve numa recessão”, disse o embaixador.

O embaixador belga disse que a Bélgica conheceu crescimento constante. Foto: Claudia Godoy.

A Bélgica está bem economicamente, cresceu em média 2% ao ano, nos últimos 10 anos. “É efetivamente pouco, mas nós fomos um dos poucos países europeus a conhecer um crescimento constante até então”, disse Herman.

A dívida pública belga, que já esteve acima de 100% do PIB nos últimos anos, deve voltar para um patamar mais baixo em 2019/2020. “Muito importante para nós”, afirmou.

O embaixador lembrou que foram criados 200 mil novos empregos durante a legislatura do primeiro-ministro belga, Charles Michel, que deixou o cargo recentemente para se tornar presidente do Conselho Europeu. “Isso é extremamente importante sobretudo durante um período de depressão do mercado de trabalho na Europa”, afirmou o embaixador belga.

A Bélgica registrou, também nos últimos anos, inflação baixa. “O que foi uma grande vantagem para as famílias, que, no entanto, não deixaram de enfrentar dificuldades”, disse Herman. Ele analisa, por outro lado, que as taxas de juros “praticamente nulas que conhecemos na Europa e na Bélgica, não foram boas para os investimentos das famílias.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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