Tensão gerada por retirada de médicos do Brasil já foi superada, garantem cubanos

A retirada dos médicos cubanos do Brasil no início do governo do presidente Jair Bolsonaro já é página virada pelos dois governos. “Cerca de 190 países condenam o bloqueio e nem todos estão afinados ideologicamente com Cuba”, disse o encarregado de Negócios de Cuba, embaixador Rolando Gómez, em entrevista exclusiva a Bacuri Brasil.

O presidente eleito Jair Bolsonaro fala à imprensa durante o evento Grand Slam de Jiu-Jitsu na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Na época, Bolsonaro disse que os cubanos exerciam trabalho análogo à escravidão. Foto: Agência Brasil.

“As diferenças existem, mas queremos preservar as relações de amizade com o Brasil. Não existe natureza política ou ideológica quando há carinho, amizade, mútua simpatia, afeto. Pensamos que podemos e desejamos continuar desenvolvendo vínculos”, disse o embaixador Rolando Gómez.

O embaixador Gómez concede entrevista a Bacuri Brasil. Foto: Ivan Godoy.

Gómez explicou que o governo cubano se viu obrigado a retirar os médicos do Brasil “com o impacto negativo gerado pelo desrespeito aos profissionais que estavam sendo chamados de escravos”. Ele lembrou a nobreza do trabalho que era realizado pelos médicos cubanos. “O trabalho até hoje não foi restabelecido “, disse O diplomata. Cuba hoje envia médicos para 69 países.

As cubanas Leibes Reis e Isabela Sarmento que atuavam no programa Mais Médicos no Distrito Federal e Entorno, embarcam no Aeroporto Internacional de Brasília rumo a Havana. Foto: Agência Brasil.

Segundo explicou o diplomata, os médicos vieram ao Brasil após assinar contrato que previa o recebimento de 1/3 dos salários pagos, 2/3 são utilizados por Cuba na manutenção dos serviços médicos gratuitos oferecidos à população. “A saúde médica cubana é custosa e assim garantimos o atendimento dos próprios médicos e seus familiares”, afirmou Gómez.

Médicos cubanos que atuavam no programa Mais Médicos embarcam no Aeroporto Internacional de Brasília rumo a Havana. Foto: Agência Brasil.

O Brasil iniciou as negociações para estabelecer relações diplomáticas com Cuba ainda no final do Regime Militar. As relações bilaterais foram estabelecidas em 1986, com o presidente José Sarney (1985-1990). Também mantiveram relações diplomáticas com os cubanos os governos de Fernando Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), que chegou a visitar Cuba.

O ex-presidente Fernando Collor. Foto: Agência Brasil.

Presidente de Cuba à época, Fidel Castro veio ao Brasil para a posse de Collor, inclusive logo após sofrer o “impeachment”, o presidente brasileiro foi descansar nas praias cubanas. Raul Castro também já veio ao Brasil.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.