Para entrar na OCDE, Brasil vai deixar de se autointitular país em desenvolvimento

O Brasil vai deixar de se autointitular país em desenvolvimento na OMC (Organização Mundial do Comércio) para entrar para a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que é uma espécie de clube de países ricos. A medida faz parte de acordo firmado pelos presidentes do Brasil, Jair Bolsonaro, e dos Estados Unidos, Donald Trump, durante visita do brasileiro ao norte-americano, nesta semana.

O presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington (EUA). Foto: Isac Nóbrega/PR.

Trump condicionou o apoio à entrada do Brasil na OCDE à mudança de status na OMC. Com isso, o país abre mão de tratamento especial e diferenciado na OMC que garante prazos maiores em acordos comerciais, além de outras vantagens. Países como China, Índia, Turquia e Coreia do Sul se beneficiam do mecanismo.

Bolsonaro e Trump concedem entrevista à imprensa no jardim da Casa Branca. Foto: Isac Nóbrega/PR.

Contudo o apoio dos Estados Unidos não garante a admissão imediata do Brasil na OCDE, mas apenas que os norte-americanos deixarão de vetar a pretensão brasileira. Em 2017, o presidente da Argentina, Maurício Macri, conseguiu a mesma declaração de Trump e até hoje está fora do clube.

Além de precisar cumprir, digamos, outros requisitos, o Brasil ainda precisa da aprovação dos europeus. Eles pressionam para que o próximo país admitido seja do continente europeu porque o último foi um sul-americano, a Colômbia, aliada dos EUA.

O setor do Agronegócio não gostou da decisão do governo brasileiro porque a medida retira subsídios à produção. O Brasil é grande competidor dos EUA no setor agrícola. O governo brasileiro alega que o país vem usando pouco o tratamento diferenciado ao qual tem direito.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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