Hungria, único país europeu a enviar seu primeiro-ministro para a posse de Bolsonaro pede abertura da economia

Único país europeu a enviar ao Brasil o seu primeiro-ministro para a posse do presidente Jair Bolsonaro, a Hungria defende mais abertura da economia brasileira para garantir o crescimento do comércio entre os dois países. “Seria muito útil para os dois países, tornando o Brasil mais acolhedor para os empresários “, disse o embaixador da Hungria no Brasil, Zoltán Szentgyörgyi.

Szentgyörgyi na sede da representação húngara, em Brasília, onde concedeu entrevista exclusiva para Bacuri Brasil. Foto: Claudia Godoy.

Entre os principais políticos europeus, estiveram na posse de Bolsonaro apenas o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e o presidente português Marcelo Rebelo de Sousa.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, veio para a posse de Bolsonaro.
O presidente português Marcelo Rebelo de Sousa, foi um dos políticos europeus que veio ao Brasil assistir a posse de Bolsonaro, no início do ano.

Como retribuição da visita, logo depois, em abril, o filho de Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, já eleito presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados brasileira, também esteve na Hungria. Eduardo Bolsonaro foi recebido com todas as honras do cargo pelo presidente do Parlamento húngaro. Também o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, esteve na Hungria, em maio.

O volume de negócios entre Brasil e Hungria está no patamar de US$ 500 milhões há pelo menos uma década. Em 2016, sofreu uma queda de 27%, recuperou 10% no ano seguinte, mas no ano passado registrou novo recuo, de 9%.

Apesar da queda no volume total do comércio entre os dois países, as importações brasileiras de produtos húngaros, em 2018, apresentaram um crescimento de 6% em relação a 2017. As compras fecharam o ano passado em US$ 364,45 milhões. Em relação às vendas brasileiras para a Hungria, no mesmo período, houve uma retração de 36%, totalizando US$ 115,64 milhões.

Os húngaros vendem para o Brasil automóveis (16%), produtos químicos (11%), peças (7%) e instrumentos de precisão (6%). Já o Brasil vende para a Hungria principalmente couros (62%), fumo em folha (12%), motores de automóveis (6%) e calçados.

A Audi Hungria. Foto: Divulgação.
O couro brasileiro é o principal produto vendido para a Hungria. Foto: Divulgação.

Szentgyörgyi afirma que reduzir a burocracia e aumentar a previsibilidade dos negócios são fatores essenciais para garantir mais abertura. O embaixador húngaro aponta os setores de agronegócio, saneamento e a indústria de Saúde como os que possuem maior potencial de crescimento. “Melhorar o ambiente para os negócios é muito importante para o Brasil e para a União Europeia”, disse o embaixador húngaro.

Szentgyörgyi: agronegócio, saneamento e saúde são setores com potencial de expansão. Foto: Claudia Godoy.

A Hungria entrou para a União Europeia em 2004 e a adesão é vista de forma positiva por Szentgyörgyi. “ A adesão foi positiva política, econômico e psicologicamente porque possibilitou a nossa reintegração ao continente europeu”, disse o embaixador. Ele analisa que o mercado livre é bom para todos os países. “A competição e muito grande para todos” avalia Szentgyörgyi.

A Hungria é um país lindo, que fica no centro da Europa. O embaixador húngaro no Brasil conversou com a repórter Claudia Godoy, do portal Bacuri Brasil. Zoltán Szentgyörgyi falou sobre comércio, União Europeia, relações com o Brasil e turismo.
O embaixador húngaro avalia que entrada na União Europeia foi boa econômico, político e psicologicamente. Foto: Claudia Godoy.

A economia húngara vem crescendo e já tem o quarto melhor resultado da Europa. No ano passado, o PIB (Produto Interno Bruto) da Hungria cresceu 5%. E só no primeiro trimestre deste ano atingiu elevação de 5,2%. “A economia húngara nos dá força para enfrentar qualquer crise, se vier”, disse o embaixador húngaro no Brasil. Em 2017 eles registraram uma elevação do PIB de 4,1%.

No ano passado, o desemprego registrado na Hungria foi de 3,6%. Há dez anos, o índice batia nos 12%. “Orbán (o primeiro-ministro húngaro) criou 800 mil novos empregos e isso, para uma população de 10 milhões de pessoas, é muito”, afirmou Szentgyörgyi.


Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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