Embaixador belga: “meu avô viajou pelo Brasil”

Em 1915, Walter Herman, avô de Patrick, hoje embaixador da Bélgica no Brasil, desembarcou por aqui com o intuito de trabalhar com café. Foi uma chegada com sofrimento porque ele estava muito doente quando desembarcou no Rio de Janeiro.

O avô do embaixador belga em frente a uma das lojas abertas no Brasil. Foto: acervo de Patrick Herman.

Teve de ficar três longos meses internado em isolamento em Santa Teresa, bairro tradicional do Rio de Janeiro. Depois que se recuperou, Walter deixou o anexo médico do Grande Hotel Internacional e viajou por vários estados brasileiros. Conheceu São Paulo, Bahia, Minas Gerais.

O Grande Hotel Internacional do Rio de Janeiro, em Santa Teresa, um dos mais afamados e sofisticados do século XIX e início do século XX, onde o avô do embaixador ficou internado quando chegou ao Brasil. Foto: Divulgação.

Mas vir ao Brasil não era exatamente um salto para o desconhecido para Walter Herman. Durante três gerações, a Herman & Co., a empresa da família estabelecida em Antuérpia em 1867 por seu avô Albert Hermann, importou grandes quantidades de café do país.

Max e Walter na Antuérpia, em 1914. Foto: Acervo de Patrick Herman.
O avô do embaixador belga em lavoura de café. Foto: Acervo de Patrick Herman.

Ao assumir a empresa da família, o pai de Walter, Max Herman, tornou-se agente da firma Hard & Rand, de Nova York, que exportava café do Rio de Janeiro. E, com o início da Primeira Guerra Mundial, Walter foi enviado para o Brasil para trabalhar.

Walter saiu de seu país como secretário particular de Arthur Lange, parceiro de seu pai, Max, na Produce & Warrant. Lange enviou o jovem para várias partes do país.

Carta escrita pelo avô do embaixador para o pai. Foto: Acervo de Patrick Herman.

Mas cerca de um ano após chegar, em 1916, Walter teve de se juntar ao Exército belga. Apesar de sua origem alemã, ele acabou se apresentando na escola para oficiais não comissionados em Valognes, na Bélgica, e lutou em Yser, de 1917 a 1919. Nesta época ele já estava noivo e ainda voltou ao Brasil em 1920. Mas tinha de retornar aos estudos e, em 1921 voltou à Bélgica assumindo os negócios da família, com as empresas sendo renomeadas como W.A. Herman & Co.

O corcovado em foto de 1915. Foto: Acervo de Patrick Herman.

Como diretor executivo das suas empresas, e, mesmo longe do Brasil, Walter continuou trabalhando com exportadores brasileiros, como Ernesto Riggenbach e Cia., em Florianópolis, e Hard, Rand & Co., em Santos. Ele também nunca esqueceu o seu português e escreveu suas memórias sobre o Brasil no livro “Souvenances & Anecdotes”.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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