Embaixada da Áustria promove encontro de lideranças indígenas no Memorial de Povos Indígenas


A Embaixada da Áustria e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal promoveram, nesta segunda (17), um encontro de lideranças indígenas para discutir as políticas públicas direcionadas ao setor. Intitulado “Políticas Públicas aos Povos Indígenas” o encontro foi realizado no Memorial de Povos Indígenas. Participaram do evento lideranças brasileiras e estrangeiras.

A terceira secretária da embaixada do Equador, Verônica Barahona, lembrou que o mundo experimenta um momento de mudanças provocadas pela urbanização. “Temos um desafio: preservar nossa cultura, nossa língua”, disse.

Barahona fala ao público presente. Foto: Claudia Godoy.
Memorial dos Povos Indígenas. Foto: Claudia Godoy.

A escritora indígena da etnia puru, Sueli Menezes, foi o destaque do encontro. Ela lembrou a importância dos valores da mulher indígena na história de luta, resistência e como alvo de violência de gênero, percurso vivenciado por mulheres de várias etnias.

A escritora da etnia puru, Sueli Menezes, no Memorial dos Povos Indígenas. Foto: Claudia Godoy.

Sueli engravidou aos doze anos, vítima de estupro, violência que pontuou sua vida a partir de abusos do pai. No final dos anos 80, migrou para a Áustria, onde se casou, aprendeu alemão como autodidata e voltou a ser mãe de um terceiro filho, ao lado de dois que haviam ficado no Brasil.

A 3ª secretária da embaixada do Equador, Verônica Barahona, conversa com Sueli Menezes. Foto: Claudia Godoy.
Fernanda de Carvalho Papa, da ONU Mulheres. Foto: Claudia Godoy.

Na Áustria, Suely exerceu várias profissões e fundou a Organização Não Governamental Vitória Régia, voltada a ajudar na subsistência de crianças pobres no Brasil, criar alternativas de renda e contribuir para a proteção da floresta amazônica.

Presente ao evento, o subsecretário do Patrimônio Cultural, Cristian Brayner, lembrou a importância do Memorial para a luta dos povos indígenas. “Devemos garantir espaço para os povos que foram dizimados”, afirmou Brayner. O Memorial dos Povos Indígenas é uma obra do arquiteto Oscar Niemeyer.

O Memorial dos Povos Indígenas, um projeto de Oscar Niemeyer. Foto: Claudia Godoy.

No evento, o gestor frisou a importância da discussão das condições de vida de grupos vulneráveis. “A mulher, a indígena, a imigrante”, nomeia.

Brayner discorreu que políticas públicas para os povos originários têm de estar na agenda do estado. “Temos no Distrito Federal 3 mim índios dispersos. O que fazer para que nossos recursos limitados atinjam a maioria de nossos irmãos indígenas?”, interrogou.

Ele acredita que o Memorial está vivendo um bom momento e sinalizou para os próximos meses a exposição “Séculos Indígenas no Brasil”, que deve encontrar o Memorial revitalizado em virtude da captação de R$ 200 mil de recursos de emendas parlamentares.

Participaram, ainda, do evento a enfermeira e mestranda em desenvolvimento, sociedade e cooperação internacional na UnB, Universidade de Brasília, Rayanne Cristine França, das Redes de Juventude Indígena e Latino Americana de Jovens Indígenas.

França fala aos participantes do encontro. Foto: Claudia Godoy.

Também participaram do encontro Maria Angélica Breda Fontão, mestranda, com pesquisa em direitos humanos, foco na questão de gênero e indígena e Fernanda de Carvalho Papa, da ONU Mulheres.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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