Cristãos brasileiros se reúnem com religiosos palestinos para discutir transferência de embaixada

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs reuniu, nesta semana, em Brasília, religiosos brasileiros e palestinos para discutir a eventual transferência da embaixada brasileira de Tel Avi para Jerusalém. A mudança seguiriria os passos de Donal Trump, o presidente dos Estados Unidos, mas, depois de prometer a transferência, desde que foi eleito, o presidente Jair Bolsonaro vem se mostrando evasivo.

Vice-presidente, Hamilton Mourão Foto: Agência Brasil

Bolsonaro tem o apoio do chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, mas a resistência em outros importantes diplomatas. O vice-presidente, Hamilton Mourão, recebeu os diplomatas árabes e religiosos palestinos para discutir a questão. Os árabes deixaram a reunião com a esperança de que a decisão de Bolsonaro deverá ser revista. “Temos a esperança de que o Brasil vai continuar respeitando as convenções internacionais. O encontro foi frutífero e saímos de lá com a certeza de que Mourão possui profunda compreensão da questão palestina”, disse Ibrahim Alzeben, o embaixador da Palestina. Alzebem é o decano dos embaixadores da Liga Árabe.

Religiosos palestinos e brasileiros

Além dos prejuízos nas relações diplomáticas, a transferência da embaixada brasileira provocaria imensos prejuízos econômicos para o Brasil.

Granja no estado do Pará

No final do ano passado, numa demonstração de força e de que os árabes não aceitariam a transferência da embaixada, o Egito cancelou viagem de uma delegação brasileira ao país. Mais recentemente, a Arábia Saudita anunciou a redução da compra de carne de frango brasileiro. Os sauditas compram 14% da produção brasileira de frango. No ano passado, isso representou US$ 800 milhões para o país.

Líderes religiosos reunidos com o embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, em Brasília.

A previsão é catástrofica principalmente para o agronegócio, que perderia um mercado consumidor essencial para a economia do país. Pelo menos 40% da carne de boi e 45% do frango produzida no Brasil vai para os árabes.

As vendas de frango para o mundo muçulmano correspondem a 45% do total das exportações brasileiras. O Brasil exporta frango para 57 países islâmicos, entre eles, 22 árabes.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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