Os poloneses compraram minério de ferro e aviões da Embraer

A balança comercial entre Brasil e Polônia apresentou aumento de 30%, em 2018. A informação é da encarregada de Negócios da embaixada da Polônia, Marta Olkowska. As compras polonesas são basicamente de minério de ferro, mas eles também são os maiores importadores europeus de aviões brasileiros da Embraer.

A Polônia faz parte da OTAN, a Organização do Tratado Atlântico Norte desde 1999 e da União Europeia a partir de 2004. A encarregada de Negócios da embaixada da Polônia considera o incremento do comércio “muito bom” e acredita num clima propício para mais aumento no fluxo comercial. “Nosso objetivo é criar um bom ambiente. Os empresários analisam o mercado. Nós esperamos que o presidente saia logo do hospital”, disse Olkowska ao desejar melhoras ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro.

A encarregada de Negócios da embaixada da Polônia, Marta Olkowska, na sede da representação diplomática, em Brasília. Foto: Thales Godoy

A Polônia está no topo da lista dos mais ricos entre os europeus. Está crescendo em média 5% ao ano. A previsão para este ano é de ainda incríveis 3,5%.

Este ano os poloneses comemoram 30 anos do fim do regime socialista. No ano passado, fizeram festa porque completaram 100 anos da reconquista da independência.

Foto: Thales Godoy

A Polônia vem registrando vitórias ao longo da história ao mostrar resistência às guerras e às crises. Em 2008 foi o único país europeu a se sair bem de uma grande depressão que atingiu o mundo. “Tínhamos uma sociedade ansiosa para consumir e uma economia aquecida que foi capaz de superar a crise”, disse Olkowska, ressaltando que o país possuía uma economia aberta para os investimentos.

A capital da Polônia, Varsóvia.

Outro sinal da capacidade de resistência polonesa é a capital, Varsóvia. A cidade foi completamente destruída na II Guerra Mundial, mas o centro histórico foi reconstruído e hoje tornou-se Patrimônio da Humanidade. De arquitetura neo-clássica, tudo o que se vê em Varsóvia foi reconstruído ou tem no máximo 200 anos.

Varsóvia destruída pelos bombardeios durante a II Guerra Mundial.

Em Varsóvia , na Igreja de Santa Cruz, Frèdèric Chopin, nascido na cidade, foi batizado e seu coração descansa. O jovem pianista e compositor morreu em Paris aos 39 anos e seu corpo não pôde regressar. Apenas o coração voltou e está guardado na igreja. No livro “Polônia”, do jornalista Ivan Godoy, há o relato de que um oficial alemão sabendo que a igreja seria dinamitada por Adolf Hitler,  na II Guerra, retirou o coração de Chopin de lá e o devolveu depois ao bispo de Varsóvia. O coração descansa na igreja há cerca de 170 anos.

O local exato em que está guardado o coração de Chopin.

Bem mais antiga é Cracóvia, que também foi capital durante muito tempo e tem mais de mil anos. Em Cracóvia está a Universidade Jaguelônica, a segunda mais antiga da Europa. Fundada em 1364, por Casimiro III, o Grande, a universidade está entre as melhores da Europa. Lá estudaram Nicolau Copérnico, astrônomo fundador do heliocentrismo, e Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II. A biblioteca tem 5,5 milhões de exemplares e uma coleção de manuscritos medievais, como exemplo “o Revolutionibus de Copérnico” ou o “Codex de Balthasar Behem”.

O universo heliocêntrico de Nicolau Copérnico.

Mais de seis milhões de poloneses morreram durante a II Guerra Mundial, metade deles judeus. As fronteiras do país foram movidas na direção oeste após a guerra e a Polônia passou a ser 20% menor.

Terra de Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II, a Polônia parece mesmo uma terra que apesar de todas as tragédias possui uma capacidade incrível de resistência.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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