Bolívia cresce em média 5% ao ano e já não é a mais desigual da América Latina

A pobreza na Bolívia caiu pela metade na última década. A redução levou o país a uma melhor posição no ranking da desigualdade na América Latina. Antes, era o mais desigual de todos os países latino-americanos.

A Bolívia está crescendo há mais de uma década a uma média anual de 5%, um crescimento maior que o registrado pelos Estados Unidos e demais países sul-americanos. Um verdadeiro milagre boliviano. Mas como nossos vizinhos alcançaram resultados tão positivos?

Segundo o embaixador da Bolívia no Brasil, José Kinn Franco, até 2006 quando ainda vigorava a lei anterior dos hidrocarbonetos as empresas que exploravam o gás boliviano ficavam com 50% a 82% do lucro. Com a chegada de Evo Morales à presidência, o Estado passou a ser o dono do gás e as empresas agora recebem 35% do lucro, enquanto 65% ficam com o governo.” A proporcionalidade mudou. As empresas passaram a ser operadoras e não donas. O Estado paga os custos e adicionais de ganhos”, disse Franco.

O embaixador boliviano é engenheiro e acompanhou a história boliviana de perto. Ele elogia a política inclusiva de Evo Morales. O aumento nas receitas originárias do gás boliviano resultou em fortes investimentos públicos e num modelo de desenvolvimento voltado para a demanda interna. Para Franco, nos últimos 14 anos, o crescimento boliviano vem sendo impulsionado pela explosão nos preços da principal matéria-prima do país, investimentos públicos e altos gastos feitos em políticas sociais.

Com a redução da pobreza, o governo passou a guardar parte dos recursos obtidos com a venda do gás, fazendo um bom pé de meia. O governo boliviano conseguiu guardar cerca de US$ 20 bilhões e absorver parte da queda dos preços da commodity, ocorrida a partir de 2014. Ou seja, o governo boliviano não desperdiçou o dinheiro que entrou no país com a nacionalização do gás, em 2006. E, apesar da crise no preço do gás, a Bolívia continua crescendo.

Segundo o FMI, o crescimento boliviano deve se manter nos próximos anos. A queda no uso do dólar pela população boliviana ajudou a melhorar a estabilidade do setor financeiro e a efetividade da política monetária, permitindo o acesso dos bolivianos ao crédito.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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