Ameaça de guerra não impedirá Paquistão de defender Caxemira

Paquistão e Índia são potências nucleares. Uma guerra nuclear entre as duas nações provocaria a morte de milhares de pessoas, além de mudança no clima da terra com o temido Inverno nuclear.

“O Paquistão não quer guerra, mas essa ameaça não pode interromper o interesse de defender a população”, disse o embaixador do Paquistão, Najm us Saqib.

O embaixador do Paquistão, Najm us Saqib (centro), durante entrevista coletiva à imprensa, na sede da representação diplomática, em Brasília. Foto: Claudia Godoy.

Segundo o diplomata, a repressão à população muçulmana e também às outras minorias religiosas, como siques, budistas e cristãos, atingiu o máximo numa escala de um a dez. Us Saqib não tem esperanças de mudança na política indiana para a região da Caxemira. “Governos diferentes da Índia falaram de forma diferente e foram de um a cinco na escala que vai até dez. Isso demonstra que nenhum governo atuará de forma benéfica. Não tem esperança”, disse o embaixador.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, revogou, em agosto do ano passado, a autonomia constitucional de parte da Caxemira controlada pela Índia. Em função disso, Jammu e Caxemira foi isolada, com toque de recolher e corte nas comunicações. “Gangues de estupradores atuam na região cometendo crimes contra as mulheres. Crianças estão desaparecendo”, disse o embaixador paquistanês, acrescentando que cerca de 100 mil pessoas já morreram desde 1989, quando começou a insurgência da população contra o domínio indiano. A população da região é de maioria muçulmana enquanto a Índia é majoritariamente hindu.

Primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, discursa na comemoração da independência do país, em Nova Délhi (15/08/2019).
Primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, discursa na comemoração da independência do país, em Nova Délhi. Foto: divulgação.

O brigadeiro-general paquistanês, Muhammad Yousaf, afirma que em 30 anos de serviço militar ao seu país “a situação nunca esteve pior”. Isso (a pesada repressão promovida pela Índia na Caxemira) pode se transformar em ponto de conflito nuclear. Yousaf acrescenta: “deveria ser uma preocupação de todos no mundo, principalmente porque envolve milhões de pessoas. São dos países com bombas nucleares “, afirmou o brigadeiro-general.

O brigadeiro-general, Muhammad Yousaf, ao lado do embaixador paquistanês, durante entrevista coletiva à imprensa, na sede da representação diplomática, em Brasília. Foto: Claudia Godoy.
O brigadeiro-general, Muhammad Yousaf, está trajando a farda militar do lado direito do embaixador Us Saqib. Ao lado dele, está o primeiro-secretário da embaixada do Paquistão, Azeem Ullah Cheema. Foto: Claudia Godoy.

Todos os conflitos armados entre os dois países tiveram como causa direta ou indireta a região disputada da Caxemira, com exceção da guerra de 1971, a qual teve como casus belli o Paquistão Oriental, que se tornou independente ao término das hostilidades com o nome de Bangladesh.

Para Us Saqib, europeus e africanos estão envolvidos no conflito porque uma guerra nuclear envolve a todos. “Estamos falando de potências nucleares, afirmou. O Conselho de Segurança das Nações Unidas decidiu que a população da Caxemira deveria ter direito a um plebiscito para decidir o seu futuro. O Paquistão acredita que a repressão na região tem o intuito de promover uma mudança na demografia da região, povoando a Caxemira com hindús. A Índia mantém cerca de 600 mil soldados na Caxemira, que possui cerca de 8 milhões de habitantes, o que transforma a área na mais militarizada da região.

Author: Claudia Godoy

Jornalista e fotógrafa, atuei na cobertura de imprensa nos Ministérios da Fazenda, Agricultura, Planejamento, Indústria e Comércio, Relações Exteriores, Saúde, Educação, além de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Banco Central. Também repórter e produtora de rádio e tv.

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