segunda-feira, 19 outubro, 2026
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Cuba e Brasil celebram 40 anos de relações diplomáticas com homenagem à solidariedade e despedida de diplomata

Por Claudia Godoy


Cerimônia em Brasília destacou a solidariedade entre os dois países, a cooperação bilateral e a despedida da diplomata Idalmis Brooks, que retorna a Cuba após cinco anos de trabalho

A Embaixada de Cuba no Brasil celebrou, em Brasília, os 40 anos da retomada das relações diplomáticas entre os dois países em uma cerimônia marcada por referências históricas, defesa da solidariedade latino-americana e homenagens a diplomatas que contribuíram para o fortalecimento dos vínculos bilaterais.
Realizado na residência cubana, o encontro reuniu autoridades e representantes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério de Minas e Energia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de universidades, instituições culturais, movimentos sociais, organizações estudantis e partidos políticos.
Em seu discurso, o embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que a celebração representava uma homenagem à solidariedade construída entre os dois povos ao longo das últimas décadas. Segundo ele, embora Cuba e Brasil estejam geograficamente distantes, os países permanecem unidos por laços históricos, culturais e políticos, além do compromisso com a integração latino-americana e a construção de uma sociedade mais justa. Fotos: Claudia Godoy
O evento também lembrou que Brasil e Cuba celebram, neste ano, 120 anos do estabelecimento das relações diplomáticas e quatro décadas desde a retomada dos vínculos oficiais. Entre as iniciativas relacionadas às datas comemorativas está a inauguração da Casa Brasil, em Havana, apresentada como um espaço de diálogo cultural, ensino de idiomas e aproximação entre os povos.

Solidariedade como eixo da relação

Em seu discurso, o embaixador de Cuba no Brasil, Victor Manuel Cairo Palomo, afirmou que a celebração representava uma homenagem à solidariedade construída entre os dois povos ao longo das últimas décadas. Segundo ele, embora Cuba e Brasil estejam geograficamente distantes, os países permanecem unidos por laços históricos, culturais e políticos, além do compromisso com a integração latino-americana e a construção de uma sociedade mais justa.
“Somos nações geograficamente distantes, mas muito unidas por nossas origens, pelo sonho de construir um mundo melhor e por um destino de integração latino-americana”, declarou.
Realizado na residência cubana, o encontro reuniu autoridades e representantes do Ministério das Relações Exteriores, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Ministério de Minas e Energia, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de universidades, instituições culturais, movimentos sociais, organizações estudantis e partidos políticos.
O embaixador relembrou o processo de reaproximação entre Havana e Brasília, que culminou na retomada das relações diplomáticas em 1986. Cairo Palomo destacou a participação de jornalistas, escritores, artistas, dirigentes políticos, sindicalistas, intelectuais e movimentos sociais brasileiros na construção dos primeiros canais de diálogo com Cuba, ainda durante o período da ditadura militar no Brasil.
Entre os episódios mencionados estiveram as visitas de brasileiros a Cuba, a criação do primeiro grupo de amizade com o país no Congresso Nacional, em 1983, e a influência da cultura brasileira entre os cubanos, especialmente por meio da literatura, da música, do cinema e das telenovelas.
O diplomata também ressaltou a atuação de diferentes embaixadores e funcionários que, ao longo dos anos, trabalharam para manter e aprofundar a relação entre os dois países. Recordou ainda as visitas do líder cubano Fidel Castro ao Brasil e sua participação na Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro, em 1992.
Ao abordar o momento atual, Cairo Palomo defendeu a ampliação da cooperação bilateral nas áreas de saúde, educação, ciência, biotecnologia, segurança alimentar e cultura.
Também mencionou a participação de profissionais cubanos em programas de saúde no Brasil, a formação de estudantes brasileiros em universidades cubanas e as iniciativas de alfabetização apoiadas por Cuba.

Brasil reafirma solidariedade a Cuba

Representando o Ministério das Relações Exteriores, a chefe da Divisão do Caribe, Juliana Soares, destacou que Brasil e Cuba vivem um momento simbólico, com a celebração simultânea dos 120 anos do estabelecimento das relações diplomáticas e dos 40 anos da retomada dos vínculos bilaterais.
Juliana ressaltou que a Casa Brasil, inaugurada recentemente em Havana, simboliza a amizade “profunda e duradoura” entre os dois povos. Segundo ela, o espaço foi idealizado e concretizado com a participação de brasileiros e cubanos que contribuíram para a aproximação cultural entre os países.
A representante do Itamaraty afirmou que o Brasil acompanha com preocupação os efeitos do bloqueio econômico e energético imposto a Cuba, especialmente suas consequências econômicas e sociais sobre a população.
“O Brasil se opõe firmemente a ações unilaterais ao arrepio da Carta das Nações Unidas”, afirmou.
O evento também lembrou que Brasil e Cuba celebram, neste ano, 120 anos do estabelecimento das relações diplomáticas e quatro décadas desde a retomada dos vínculos oficiais. Entre as iniciativas relacionadas às datas comemorativas está a inauguração da Casa Brasil, em Havana, apresentada como um espaço de diálogo cultural, ensino de idiomas e aproximação entre os povos.
Juliana lembrou que o Brasil votou a favor da reabertura do debate sobre o embargo na Assembleia Geral das Nações Unidas e que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a denunciar a ilegalidade das sanções econômicas e energéticas contra a ilha em pronunciamento no debate geral da organização.
De acordo com a diplomata, o Brasil também deverá apoiar novamente a resolução apresentada anualmente na ONU em defesa do fim do embargo econômico, comercial e financeiro contra Cuba.
“Para o Brasil, a escalada de sanções não resolve as divergências e tende a agravar as condições humanitárias que enfrenta o povo cubano”, disse. Ela acrescentou que o país continuará reiterando sua solidariedade a Cuba e ajudando, sempre que possível, a reduzir os impactos das medidas sobre a população.

Despedida de Idalmis Brooks

A cerimônia também foi marcada pela despedida da diplomata Idalmis Brooks e de sua família, que retornam a Cuba após cerca de cinco anos de trabalho no Brasil.
Em uma fala emocionada, Idalmis afirmou que a conclusão da missão representa um momento difícil, não apenas para ela e sua família, mas também para o trabalho desenvolvido em favor de Cuba. A diplomata destacou que as relações entre os dois países são construídas não somente por acordos e contatos institucionais, mas também por vínculos pessoais, empatia e amizade.
“A arte da política não é somente o relacionamento em si; são também as relações pessoais, essa empatia que construímos e praticamos, para além do tempo em que estaremos aqui”, afirmou.
Idalmis ressaltou o papel da cultura como instrumento de aproximação e preservação da amizade entre os povos. Ela lembrou que chegou ao Brasil durante as comemorações do centenário de Darcy Ribeiro e que deixa o país no período em que Cuba se prepara para celebrar o centenário de Fidel Castro.
A diplomata citou ainda a presença cubana na Universidade de Brasília, a criação da Cátedra de Estudos Cubanos e a atuação de instituições e pessoas que mantêm viva a cooperação acadêmica e cultural entre os dois países. Também destacou a relevância da Casa Brasil em Havana e a realização, no próximo ano, da Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba em Brasília.
Em tom de agradecimento, Idalmis reconheceu o acolhimento recebido no Brasil e a solidariedade demonstrada à população cubana, especialmente diante das atuais dificuldades econômicas enfrentadas pela ilha.
“Obrigada pela solidariedade, pela amizade e por tudo o que vocês fizeram para apoiar o povo cubano nos bons e nos maus momentos”, declarou.
A diplomata também mencionou a experiência vivida por sua família no país. Disse que sua filha Fátima chegou ao Brasil aos 12 anos e retorna a Cuba aos 17, levando parte importante da formação e das memórias construídas durante o período. Idalmis afirmou ainda que, apesar do retorno, os vínculos permanecerão por meio dos contatos pessoais e das ferramentas digitais.

Boas-vindas aos novos diplomatas

No mesmo encontro, a missão cubana deu as boas-vindas aos novos diplomatas enviados ao Brasil, entre eles o terceiro-secretário Júlio César Domínguez, que chega para integrar a equipe da embaixada.
Em sua primeira manifestação no evento, Júlio César agradeceu a acolhida recebida no país e estendeu o reconhecimento à família e aos colegas da representação cubana. Também agradeceu a Idalmis Brooks pela experiência e pelos ensinamentos compartilhados durante o período de transição.
A chegada dos novos diplomatas ocorre no momento em que Idalmis Brooks e sua família encerram a missão no Brasil. O embaixador Victor Manuel Cairo Palomo ressaltou que Julio César, Natalie e Tania passam a integrar a equipe cubana no país e manifestou confiança no trabalho que será desenvolvido na nova etapa.
Cairo Palomo também reconheceu a atuação de Bernardo, esposo de Idalmis, no atendimento e na interlocução com a comunidade cubana residente no Brasil, que, segundo ele, cresce continuamente e integra a sociedade brasileira. Fátima foi igualmente lembrada pela dedicação ao longo dos anos vividos no país.

Nova etapa de cooperação

Ao encerrar o discurso, o embaixador afirmou que as quatro décadas de relações diplomáticas devem ser vistas não como um ponto final, mas como o início de uma nova etapa de cooperação e amizade.
“Cuba e Brasil estão do mesmo lado da trincheira humana: da justiça social, da erradicação da fome, da saúde como direito universal, da paz e do respeito absoluto à soberania dos povos”, declarou.
Cairo Palomo concluiu defendendo o fortalecimento da parceria entre os dois países e celebrou a “irmandade indestrutível” entre os povos de Cuba e do Brasil.
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