quarta-feira, 28 outubro, 2026
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Irlanda, ACNUR e parceiros promovem corrida em solidariedade a pessoas refugiadas no Brasil

Por Claudia Godoy


Terceira edição da Corrida Solidária Global reuniu refugiados, migrantes, voluntários e moradores locais em uma atividade de integração por meio do esporte

A Embaixada da Irlanda no Brasil realizou, na manhã do último dia nove de outubro, a terceira edição da Corrida Solidária Global (Global Solidarity Run), iniciativa internacional voltada à promoção da solidariedade e da inclusão de pessoas refugiadas e deslocadas à força.

O evento foi organizado em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) e a Aldeias Infantis SOS Brasil. A atividade reuniu pessoas refugiadas de diferentes nacionalidades, voluntários e integrantes da comunidade local em um gesto de acolhimento e valorização da dignidade humana.

Inspirada no movimento Sanctuary Runners — criado em Cork, na Irlanda, em 2018 —, a corrida busca aproximar requerentes de asilo, refugiados, migrantes e moradores locais por meio da prática esportiva. Os participantes puderam correr, trotar, caminhar ou percorrer qualquer distância, inclusive em cadeiras de rodas.

“A Corrida Solidária Global tem como objetivo unir comunidades e promover a compreensão e a amizade por meio do esporte”, afirmou o embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher.

Sem caráter comercial ou arrecadação de fundos, a iniciativa é realizada anualmente para demonstrar apoio às pessoas deslocadas à força e a outros grupos em situação de vulnerabilidade social. A proposta é transformar a atividade física em uma ferramenta de convivência, integração e conscientização.

A Corrida Solidária Global conecta participantes em cerca de 100 países e conta com o envolvimento de mais de 66 embaixadas e consulados da Irlanda. Organizações comunitárias locais e instituições internacionais, como o ACNUR e a World Athletics, também participam da mobilização.

Na Irlanda, uma grande corrida e caminhada nacional também foi realizada em Dublin, neste último domingo, dia 11 de outubro. Organizado em parceria com a Representação da Comissão Europeia na Irlanda, o evento teve como destaque a celebração da Presidência irlandesa do Conselho da União Europeia.

Organizações e embaixadas interessadas em participar das próximas edições da Global Solidarity Run no Brasil podem:

• Entrar em contato com a Embaixada da Irlanda no Brasil, responsável pela articulação da iniciativa no país, para manifestar interesse e obter informações sobre calendário, inscrição e organização.
• Buscar parceria com o ACNUR, o Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), a Aldeias Infantis SOS Brasil e outras entidades que atuam com pessoas refugiadas e migrantes.
• Mobilizar comunidades locais, convidando pessoas refugiadas, requerentes de asilo, migrantes, voluntários e moradores a participar.
• Apoiar a realização do evento, oferecendo estrutura, divulgação, acessibilidade, voluntariado, espaços para a atividade e suporte logístico.
• Garantir uma participação inclusiva, permitindo que as pessoas corram, caminhem, trotem ou percorram a distância em cadeiras de rodas, conforme suas condições.
• Promover ações de conscientização, destacando a solidariedade, a dignidade humana e a integração social — sem transformar a iniciativa em uma campanha comercial de arrecadação.
• Conectar o evento a redes internacionais, ampliando a participação de outras representações diplomáticas e organizações comunitárias.

O modelo do Sanctuary Runners pode ser adaptado por organizações locais como uma iniciativa contínua de convivência, inclusão e construção de vínculos entre pessoas refugiadas, migrantes e a comunidade de acolhida. A proposta não precisa se limitar a uma corrida anual: pode dar origem a uma programação esportiva regular, de baixo custo e aberta a diferentes níveis de condicionamento físico.

Como adaptar o modelo
1. Criar grupos esportivos permanentes
Organizações locais podem formar grupos semanais ou quinzenais de corrida, caminhada, ciclismo, futebol, vôlei ou outras modalidades. As atividades devem ser gratuitas ou acessíveis e abertas a:

• Pessoas refugiadas e solicitantes de refúgio;
• Migrantes;
• Moradores da comunidade;
• Voluntários;
• Pessoas com deficiência.

O foco deve estar na participação e na convivência, e não no desempenho esportivo.

2. Adotar o princípio da participação inclusiva
As atividades podem oferecer diferentes formas de participação — correr, caminhar, trotar ou utilizar cadeira de rodas. Percursos curtos, pontos de descanso e horários variados ajudam a incluir pessoas com diferentes condições físicas, idades e rotinas de trabalho.

Também é importante garantir acessibilidade física, comunicação clara e acolhimento para pessoas que ainda não dominam o português.

3. Trabalhar com organizações lideradas por refugiados
A participação das próprias pessoas refugiadas no planejamento é fundamental. Elas podem ajudar a:

• Escolher modalidades e locais;
• Definir horários adequados;
• Divulgar as atividades em suas comunidades;
• Orientar sobre barreiras culturais e linguísticas;
• Atuar como líderes, treinadores ou embaixadores do projeto.

Essa abordagem evita que os participantes sejam vistos apenas como beneficiários e fortalece seu protagonismo.

4. Formar parcerias locais
Prefeituras, escolas, universidades, clubes, academias, unidades de saúde, empresas e organizações da sociedade civil podem contribuir com espaços, equipamentos, profissionais, transporte e voluntários.

Parcerias com serviços de atendimento a refugiados também podem facilitar o encaminhamento de participantes e a identificação de necessidades específicas, como apoio psicossocial ou orientação sobre direitos.

5. Organizar um calendário ao longo do ano
Uma programação diversificada pode incluir:

• Caminhadas comunitárias semanais;
• Treinos esportivos para iniciantes;
• Torneios amistosos;
• Atividades para crianças e famílias;
• Eventos culturais associados ao esporte;
• Oficinas sobre saúde, bem-estar e integração;
• Encontros especiais em datas relacionadas aos direitos humanos e à solidariedade.

As atividades podem culminar em um evento maior inspirado na Global Solidarity Run, sem substituir a programação regular.

6. Valorizar a convivência além da atividade física
O esporte deve ser utilizado como ponto de partida para criar relações. Após os treinos, podem ser promovidos cafés comunitários, rodas de conversa, intercâmbios culturais e momentos de confraternização.

Esses encontros ajudam a reduzir o isolamento social, combater preconceitos e ampliar o conhecimento sobre as trajetórias e culturas das pessoas refugiadas.

7. Capacitar voluntários
Voluntários e profissionais devem receber orientações sobre:

• Proteção e salvaguarda de crianças e adultos vulneráveis;
• Diversidade cultural;
• Comunicação intercultural;
• Prevenção de discriminação;
• Primeiros socorros;
• Acessibilidade;
• Encaminhamento para serviços especializados.

A capacitação contribui para que o ambiente seja seguro, respeitoso e acolhedor.

8. Garantir sustentabilidade
Para manter as atividades durante todo o ano, as organizações podem elaborar um plano simples de recursos, combinando apoio público, doações institucionais, cessão de espaços e trabalho voluntário. A iniciativa deve preservar seu caráter não comercial e evitar que custos de inscrição impeçam a participação de pessoas em situação de vulnerabilidade.

Também é recomendável estabelecer metas realistas, começar com um projeto-piloto e ampliar gradualmente conforme a adesão e a capacidade da organização.

9. Medir resultados
Além do número de participantes, a avaliação pode considerar:

• Frequência e permanência nos grupos;
• Diversidade de nacionalidades e perfis;
• Participação de mulheres, crianças e pessoas com deficiência;
• Novas amizades e redes de apoio formadas;
• Percepção de pertencimento e bem-estar;
• Participação de refugiados na liderança do projeto.

Depoimentos voluntários e avaliações periódicas podem ajudar a aprimorar as atividades.

Modelo prático de início
Uma organização poderia começar com um programa-piloto de três meses, composto por:

1. Um encontro esportivo semanal;
2. Um percurso acessível de caminhada e corrida;
3. Um grupo de WhatsApp com comunicação em mais de um idioma;
4. Dois voluntários responsáveis pela acolhida;
5. Um representante da comunidade refugiada na coordenação;
6. Uma atividade cultural mensal;
7. Uma avaliação ao final do período.

Dessa forma, o modelo do Sanctuary Runners seria adaptado não como uma competição, mas como uma rede permanente de solidariedade, saúde, participação e integração comunitária.

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