quinta-feira, 17 setembro, 2026
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Brasil e México reforçam parceria histórica com foco em saúde, investimentos e cooperação estratégica

Por Claudia Godoy 

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Brasil e México reforçaram a disposição de ampliar a cooperação bilateral em áreas como saúde, energia, investimentos, pesquisa e produção de medicamentos e vacinas. A mensagem foi apresentada durante a celebração da data nacional mexicana em Brasília, que reuniu manifestações do embaixador do México no Brasil, Carlos García de Alba, da embaixadora Gisela Padovan e do ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha.

Ao destacar a dimensão da parceria, García de Alba afirmou que, se Brasil e México formassem um único país, a nação seria a segunda maior do mundo em extensão territorial, a terceira mais populosa e a quarta maior economia global. Para o embaixador, essa dimensão ajuda a explicar o peso estratégico da relação entre as duas nações. Foto: Claudia Godoy.

Ao destacar a dimensão da parceria, García de Alba afirmou que, se Brasil e México formassem um único país, a nação seria a segunda maior do mundo em extensão territorial, a terceira mais populosa e a quarta maior economia global. Para o embaixador, essa dimensão ajuda a explicar o peso estratégico da relação entre as duas nações.

“O México e o Brasil podem e devem fazer muito mais juntos, e já estamos fazendo”, afirmou García de Alba.

Uma relação com raízes históricas

A secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, lembrou que as relações diplomáticas entre Brasil e México começaram oficialmente em 30 de maio de 1834, quando o Império brasileiro enviou ao governo mexicano o diplomata Duarte da Ponte Ribeiro para apresentar suas credenciais.

Considerado um dos mais eminentes diplomatas do Império, Duarte da Ponte Ribeiro é homenageado no Palácio Itamaraty. Seu busto integra a Sala dos Tratados, ao lado dos bustos de Alexandre de Gusmão, negociador do Tratado de Madri, e do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira. Foto: Claudia Godoy.

Considerado um dos mais eminentes diplomatas do Império, Duarte da Ponte Ribeiro é homenageado no Palácio Itamaraty. Seu busto integra a Sala dos Tratados, ao lado dos bustos de Alexandre de Gusmão, negociador do Tratado de Madri, e do Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira.

Segundo Gisela Padovan, a presença de Duarte da Ponte Ribeiro entre essas figuras demonstra a importância atribuída ao México desde o início da política externa brasileira. Ela ressaltou, contudo, que os contatos entre os povos dos dois países são anteriores à formação das relações diplomáticas e até mesmo ao período colonial.

A embaixadora citou evidências de intercâmbios entre povos indígenas, como o uso do milho pelos guaranis e a chegada do cacau ao México. “Isso mostra que os países intercambiavam conhecimentos mesmo antes da época colonial”, afirmou.

Na avaliação da diplomata, Brasil e México podem ser considerados países irmãos por compartilharem dimensões continentais, diversidade étnica, riqueza cultural e pluralidade linguística. As duas nações também estão entre as maiores populações e economias da América Latina e do Caribe.

Em sua fala, ela ressaltou que os dois países são as maiores populações e as maiores economias da América Latina e do Caribe, além de serem nações multiétnicas, multiculturais e multilíngues.

Representantes das Forças Armadas do México e de diversos países estiveram presentes na celebração mexicana. Foto: Claudia Godoy.

No campo econômico, Gisela Padovan destacou o crescimento do comércio bilateral, que teria aumentado 50% nos últimos oito anos. Ela mencionou ainda investimentos recentes de empresas brasileiras no México, entre elas Embraer, Odata, Lorenzetti, Tramontina e Weg, e defendeu o fortalecimento do equilíbrio entre os investimentos dos dois países.

A cooperação bilateral, segundo a representante do Itamaraty, também se estende às áreas da saúde, energia e transição energética. Ela citou a aproximação entre os sistemas públicos de saúde, a parceria histórica entre a Pemex e a Petrobras na exploração de águas profundas e ultraprofundas e o potencial de colaboração em biocombustíveis.

Gisela ressaltou ainda a afinidade entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Claudia Sheinbaum, especialmente em relação à defesa da democracia, dos direitos humanos, do multilateralismo, do direito internacional e da soberania nacional. Para ela, essa convergência política complementa uma relação marcada pelo comércio, pelos investimentos e pela circulação de pessoas.

Ao final do discurso, a secretária fez um brinde ao México e celebrou a diversidade histórica e cultural do país, mencionando seus povos originários, líderes da Independência, artistas, escritores e símbolos culturais. Ela também destacou o compromisso compartilhado por Brasil e México com a integração regional e com a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

“Viva o México”, declarou Gisela Padovan ao encerrar a homenagem.

Saúde como direito fundamental

De acordo com o ministro, a Constituição mexicana foi a primeira Constituição republicana do mundo a reconhecer os direitos sociais como direitos fundamentais do ser humano. Esse legado, segundo ele, influenciou outras cartas constitucionais, incluindo a Constituição brasileira de 1988. Foto: Claudia Godoy.

O ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, destacou o papel da independência mexicana na afirmação da soberania dos países latino-americanos e ressaltou a influência da Constituição mexicana na construção dos direitos sociais na região.

A linda celebração mexicana contou com música de qualidade e um público bastante animado com a riqueza da cultura do México. Foto: Claudia Godoy.

De acordo com o ministro, a Constituição mexicana foi a primeira Constituição republicana do mundo a reconhecer os direitos sociais como direitos fundamentais do ser humano. Esse legado, segundo ele, influenciou outras cartas constitucionais, incluindo a Constituição brasileira de 1988.

“A Constituição Brasileira de 1988 coloca a saúde como direito fundamental, o direito de todos e o dever do Estado”, afirmou o ministro.

O representante brasileiro também celebrou a decisão do governo da presidenta Claudia Sheinbaum de criar no México um sistema universal de saúde inspirado no Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o ministro, a adoção do modelo brasileiro representa um momento histórico e abre espaço para uma cooperação baseada na troca de experiências. O Brasil poderá compartilhar a trajetória e os desafios do SUS, enquanto aprenderá com os esforços mexicanos para garantir o acesso universal à saúde.

O ministro anunciou que participará de uma nova agenda de trabalho no México, acompanhado por uma delegação de aproximadamente 40 integrantes, formada por representantes do governo e empresários. A missão terá como objetivo aprofundar a cooperação institucional e ampliar oportunidades no setor de saúde.

Acordo regulatório e expansão de investimentos

Entre os resultados esperados está um acordo inédito entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Brasil, e a agência reguladora mexicana. Conforme anunciado, produtos registrados no Brasil poderão ter acesso direto ao mercado mexicano, enquanto produtos registrados no México poderão ingressar diretamente no mercado brasileiro.

As embaixatrizes de diversos países estavam presentes na celebração mexicana em Brasília. Foto: Claudia Godoy.

A medida deverá reduzir entraves regulatórios, acelerar a circulação de produtos e estimular investimentos em medicamentos, equipamentos médicos e tecnologias em saúde. “Isso vai significar uma forte expansão de investimentos”, afirmou o ministro.

García de Alba também destacou a presença de empresas mexicanas nas 28 unidades federativas brasileiras e afirmou que centenas de milhares de famílias brasileiras vivem de empregos oferecidos por essas companhias. O embaixador celebrou ainda o crescimento dos investimentos brasileiros no México e disse esperar que eles aumentem e se diversifiquem.

Na área de energia, o diplomata apontou oportunidades de cooperação entre a experiência brasileira no desenvolvimento e no uso de biocombustíveis e o processo de transformação do setor energético mexicano. “Os empresários brasileiros são muito bem-vindos ao México”, declarou.

Cinquentenário da embaixada e compromisso com a paz

A celebração também marcou o início das comemorações dos 50 anos do edifício da Embaixada do México em Brasília, inaugurado em 1976. A data será celebrada oficialmente em 12 de outubro.

O ministro da Saúde brasileiro estava presente ao evento e fez um discurso impressionante sobre as relações profundas entre Brasil e México. Foto: Claudia Godoy.

A inauguração foi realizada por Alfonso García Robles, então ministro das Relações Exteriores do México e ex-embaixador no Brasil. Em 1982, ele recebeu o Prêmio Nobel da Paz por seu papel na construção do Tratado de Tlatelolco, que transformou a América Latina e o Caribe na primeira região do mundo livre de armas nucleares.

Em 14 de fevereiro de 2027, será celebrado o 60º aniversário da entrada em vigor do tratado. Ao recordar a trajetória de García Robles, o embaixador associou a história da diplomacia mexicana ao compromisso com a paz. “Sinto muita satisfação em falar de paz”, afirmou.

 

As declarações feitas durante a cerimônia convergiram para uma mesma mensagem: Brasil e México possuem uma relação sustentada por vínculos históricos profundos e por interesses concretos. A cooperação em saúde, energia, regulação e investimentos aparece como caminho para transformar essa proximidade em resultados para as duas sociedades.

O evento reuniu representantes da comunidade mexicana, autoridades, convidados e parceiros da missão diplomática.

Em seu discurso, García de Alba destacou que ainda há muitos desafios pela frente, entre eles o envolvimento dos governos subnacionais na relação bilateral e o fortalecimento da cooperação educacional e cultural entre os dois países.

Nesse contexto, o diplomata mencionou o lançamento da Rede Nacional de Mexicanos e Mexicanistas, criada com o objetivo de promover a mobilidade e o intercâmbio de conhecimentos, além de ampliar a visibilidade dos estudos sobre o México no meio acadêmico brasileiro e do trabalho de especialistas mexicanos no Brasil. Segundo o embaixador, a rede já conta com 64 membros, apenas cinco meses após sua criação. Ele também incentivou a participação de novos integrantes.

No âmbito cultural, García de Alba destacou a criação do Brasitlan, apresentado como o primeiro grupo de mariachi do Brasil. Formado por 11 músicos brasileiros e três mexicanos, entre eles o diretor do conjunto, o grupo tem levado a música tradicional mexicana aos ouvidos do público brasileiro. Foto: Claudia Godoy.

No âmbito cultural, García de Alba destacou a criação do Brasitlan, apresentado como o primeiro grupo de mariachi do Brasil. Formado por 11 músicos brasileiros e três mexicanos, entre eles o diretor do conjunto, o grupo tem levado a música tradicional mexicana aos ouvidos do público brasileiro. Em apenas seis meses, a iniciativa já se consolidou como uma realidade. O embaixador agradeceu à Escola de Música de Brasília e ao seu diretor, Dabson Souza, pelo apoio à formação do grupo.

Ao se dirigir à comunidade mexicana no Brasil, o embaixador agradeceu a presença e a contribuição de seus compatriotas para o fortalecimento dos laços entre os dois países. Segundo ele, há pouco mais de 7 mil mexicanos vivendo no Brasil, distribuídos pelos 26 estados e pelo Distrito Federal. García de Alba ressaltou que a comunidade está bem integrada e é bem acolhida no país.

“Obrigado, Brasil”, afirmou. Em seguida, pediu aos mexicanos que mantenham vivas suas tradições, divulguem sua cultura e representem o México com orgulho. Também destacou a importância de transmitir os costumes e o patrimônio cultural mexicano às novas gerações.

O embaixador incentivou as famílias a educarem seus filhos de maneira bilíngue, bicultural e binacional, para que eles conheçam e valorizem o México e, ao mesmo tempo, respeitem e amem o Brasil, país escolhido por muitas famílias mexicanas para viver.

García de Alba afirmou ainda que a Embaixada do México em Brasília, os consulados-gerais em São Paulo e no Rio de Janeiro e a rede de consulados honorários estão à disposição da comunidade mexicana. Atualmente, existem sete consulados honorários, que passam por um processo de revitalização e ampliação.

O diplomata também informou que, desde agosto, a embaixada oferece em seu site uma janela virtual de atendimento em saúde mental. O serviço, considerado importante e necessário, está disponível para todas as pessoas, não apenas para os cidadãos mexicanos.

“Poucas pontes são atualmente tão importantes para o México quanto aquela que nos conecta ao Brasil. O desafio agora para os dois países é fazê-la ainda mais larga e longa. Queremos mais México no Brasil e mais Brasil no México”, declarou o embaixador.

Ao encerrar o discurso, Carlos García de Alba expressou seu agradecimento aos patrocinadores e a todos os parceiros que contribuíram para a realização da celebração da data nacional mexicana.

 

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