Por Claudia Godoy
Durante celebração da data nacional guatemalteca, em Brasília, diplomata ressaltou a herança maia, a consolidação democrática, o crescimento econômico e a ampliação da cooperação bilateral
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O embaixador da Guatemala no Brasil, Alfredo Vázquez Rivera, destacou a história, a diversidade cultural e os avanços econômicos de seu país durante a celebração da data nacional guatemalteca, realizada em Brasília. A cerimônia contou também com a participação de Elio Cardoso, diretor de México, América Central e Caribe do Itamaraty, que ressaltou o aprofundamento das relações entre os dois países.

Na abertura do discurso, Vázquez Rivera transmitiu uma saudação do presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo de León, e ao ministro das Relações Exteriores, Carlos Ramiro Martínez. O embaixador afirmou que atender, assistir e proteger os guatemaltecos são prioridades do governo do país e agradeceu a presença dos convidados na celebração.
“Hoje nos reunimos para celebrar com orgulho o Dia Nacional da Guatemala, uma data que nos convida a recordar nossas raízes, nossa história e tudo o que faz de nossa pátria uma terra rica em cultura e diversidade”, declarou.
Herança maia
O embaixador lembrou que a história da Guatemala remonta a milênios. Segundo ele, os maias habitavam o território guatemalteco desde aproximadamente 2 mil anos antes de Cristo e desenvolveram sociedades organizadas, grandes vias de comunicação, centros cerimoniais e conhecimentos avançados em matemática, astronomia, agricultura, arquitetura e escultura.

Vázquez Rivera também ressaltou que os maias estabeleceram sistemas de governo, forças armadas e estruturas diplomáticas. Ao mencionar essa tradição, citou Pac Bal como uma figura de destaque da diplomacia maia e símbolo da academia diplomática guatemalteca, fundada em 17 de junho de 1892.
As cidades monumentais de Tikal e El Mirador, acrescentou, permanecem como testemunhos da grandeza das sociedades que habitaram a região antes da chegada dos europeus. “Os maias são uma das civilizações-mãe da humanidade”, afirmou.
Independência e formação da República
Ao abordar a independência da América Central, Vázquez Rivera lembrou que, há 205 anos, a Cidade da Guatemala vivia o período que antecedeu a proclamação da independência. Membros da Assembleia Provincial, juntamente com autoridades civis, militares e eclesiásticas, foram convocados para discutir a situação política e decidir sobre a separação do domínio colonial.
O embaixador destacou a participação de personagens que hoje são considerados heróis nacionais, como José Cecilio del Valle, Pedro Molina, Mariano Beltranena, Manuel José Arce, Miguel Jerónimo Larreynaga e Florencio del Castillo. Esses líderes contribuíram para construir o consenso necessário à assinatura da Declaração de Independência da América Central, em 15 de setembro de 1821.
O documento original está preservado no Arquivo Geral da América Central, na Cidade da Guatemala, e representa a transição do antigo Reino da Guatemala para um governo livre e soberano. Vázquez Rivera afirmou que a declaração constitui um patrimônio histórico de todos os países centro-americanos.
O diplomata também mencionou que a fundação da República da Guatemala é historicamente associada a 21 de março de 1846. Desde a independência, afirmou, o país construiu sua identidade nacional e consolidou o sentimento de pertencimento de seu povo.
Literatura, paz e democracia
A contribuição da Guatemala para a literatura latino-americana foi outro ponto destacado no discurso. O embaixador citou o escritor Miguel Ángel Asturias, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1967, além de outros autores guatemaltecos. Também lembrou que o país foi retratado pelo escritor cubano José Martí, autor do poema La niña de Guatemala, publicado em 1891.
Ao tratar da história recente, o diplomata ressaltou a assinatura dos acordos de paz, em 29 de dezembro de 1996, que encerrou um longo conflito armado interno. Para ele, o processo deixou como principal lição a importância de construir, valorizar e preservar a paz.
Vázquez Rivera também destacou a trajetória de Rigoberta Menchú, líder indígena guatemalteca que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1992 por sua atuação em defesa dos direitos dos povos indígenas e pela reconciliação nacional.
O embaixador afirmou ainda que Guatemala e Brasil compartilham valores democráticos e manifestou o compromisso de seu país com a preservação do sistema político e da democracia constitucional.
Economia e relações com o Brasil
Na área econômica, Vázquez Rivera afirmou que a Guatemala está entre as economias mais dinâmicas da região e é sustentada por uma estrutura de estabilidade macroeconômica. Segundo os dados apresentados pelo embaixador, as exportações guatemaltecas cresceram 7,1% em 2025 em comparação com o ano anterior.

O diplomata também informou que a Guatemala alcançou a mais alta classificação de crédito de sua história, avanço que fortalece a confiança dos investidores e cria condições mais favoráveis para o desenvolvimento.
Em 22 de novembro de 2026, Guatemala e Brasil completarão 120 anos de relações diplomáticas, iniciadas em 1906. Vázquez Rivera afirmou que a relação é baseada na amizade, no respeito mútuo e na cooperação.
Elio Cardoso lembrou que os vínculos entre os dois países são ainda mais antigos do que o marco de 1906. Segundo ele, um consulado brasileiro foi criado na Guatemala em 1891. Em 1937, o país se tornou o primeiro da América Central a receber uma representação diplomática permanente do Brasil, elevada à categoria de embaixada em 1953.



Cardoso também destacou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi, em 2005, durante seu primeiro mandato, o primeiro chefe de Estado brasileiro a visitar a Guatemala. O diretor mencionou ainda os encontros recentes entre Lula e o presidente Bernardo Arévalo, inclusive em reuniões da Organização das Nações Unidas e em outros eventos realizados na região.
A aproximação foi reforçada pela visita a Brasília, há pouco mais de um ano, do chanceler guatemalteco Carlos Ramiro Martínez. Para Cardoso, a intensificação do diálogo entre os dois governos já vem produzindo resultados concretos.
No campo econômico, o diretor afirmou que a Guatemala foi, no ano passado, o segundo maior parceiro comercial do Brasil na América Central, com a maior corrente de comércio registrada na série histórica. Os dois países trabalham para ampliar o intercâmbio por meio da abertura mútua de mercados, incluindo oportunidades para a carne bovina brasileira e o pescado guatemalteco.
Biocombustíveis e cooperação bilateral
O setor de biocombustíveis também foi apontado como promissor. A Guatemala tem condições favoráveis para avançar na área, enquanto o Brasil se dispõe a compartilhar a experiência acumulada ao longo de cinco décadas no desenvolvimento e na utilização do etanol.
Como parte dessa aproximação, duas delegações guatemaltecas estiveram recentemente no Brasil para conhecer diferentes aspectos da produção e do uso de biocombustíveis.
A cooperação bilateral também avança em áreas como saúde, agricultura, segurança alimentar, manejo florestal sustentável e combate a incêndios florestais. Cardoso ressaltou ainda a realização de consultas políticas periódicas entre os dois governos.
Recentemente, a secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, Gisela Padovan, esteve na Guatemala para retribuir a visita feita ao Brasil, cerca de dois anos antes, pela vice-chanceler guatemalteca, Mónica Bolaños. As conversas trataram de temas da agenda bilateral e também da integração regional, considerada uma prioridade da política externa brasileira.
Gastronomia e identidade cultural
A riqueza cultural da Guatemala também esteve presente na recepção. Durante a celebração, foi servida uma seleção da culinária tradicional guatemalteca, preparada pelo chef de cozinha Erik Nunez.

Entre os pratos oferecidos aos convidados estavam pepián, tamales, kak-ik e fiambre, receitas que expressam a diversidade, a história e a herança cultural do país. A recepção contou ainda com café guatemalteco e rum guatemalteco, bebidas que contribuíram para apresentar aos convidados parte da produção e das tradições gastronômicas da Guatemala.

A presença da culinária reforçou a declaração do embaixador Alfredo Vázquez Rivera sobre a importância das manifestações culturais na preservação da identidade nacional. Além da gastronomia, o diplomata citou danças, músicas, trajes típicos e as procissões da Semana Santa como expressões que permanecem vivas em diferentes regiões do país.

Ao concluir, Elio Cardoso afirmou que as relações entre Brasil e Guatemala vêm ganhando densidade e defendeu a continuidade do trabalho conjunto em favor dos dois povos e de uma América Latina mais próspera e solidária.
“Viva a Guatemala, viva a nossa amizade e que este bom momento gere frutos ainda melhores”, declarou.
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