quarta-feira, 2 setembro, 2026
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Brasil e Vietnã miram US$ 15 bilhões em comércio e ampliam cooperação estratégica

 


Por Claudia Godoy


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Brasil e Vietnã defenderam o aprofundamento da parceria estratégica entre os dois países durante a celebração da data nacional vietnamita, realizada na última semana, no Clube Naval de Brasília. A cerimônia contou com a presença de integrantes do Corpo Diplomático, amigos do Vietnã e representantes da imprensa.

As embaixatrizes abrilhantaram a celebração vietnamita em Brasília com carisma, beleza e inteligência. Foto: Claudia Godoy.

O evento foi iniciado com a execução dos hinos nacionais do Brasil e do Vietnã. Ao longo da programação, foram exibidos vídeos institucionais sobre o país asiático, enquanto os convidados puderam conhecer pratos da culinária vietnamita. Produtos comercializados pelo Vietnã também foram apresentados em uma área de exposição.

O embaixador Bui Van Nghi discursa durante a cerimônia, realizada em 27 de agosto de 2026, no Clube Naval de Brasília. Foto: Claudia Godoy.

Em discursos na cerimônia, o embaixador vietnamita, Bui Van Nghi, e a secretária de Ásia e Oceania do Ministério das Relações Exteriores, Susan Kleebank, ressaltaram o avanço do diálogo político, o crescimento do comércio bilateral e o potencial de cooperação em agricultura, tecnologia, energia e desenvolvimento sustentável.

Independência e desenvolvimento

Em seu discurso, Bui Van Nghi lembrou que, há 81 anos, sob a liderança do presidente Ho Chi Minh, o povo vietnamita realizou a Revolução de Agosto e assumiu o controle do país. Em 2 de setembro de 1945, na praça histórica de Hanói, Ho Chi Minh proclamou a Declaração de Independência e fundou a República Democrática do Vietnã, atual República Socialista do Vietnã.

Na área externa, Bui Van Nghi afirmou que o Vietnã segue uma política baseada na independência, na autossuficiência, na paz, na amizade, na cooperação e no desenvolvimento, combinada à diversificação e à ampliação de suas relações internacionais. Foto: Claudia Godoy.
O evento foi iniciado com a execução dos hinos nacionais do Brasil e do Vietnã. Ao longo da programação, foram exibidos vídeos institucionais sobre o país asiático, enquanto os convidados puderam conhecer pratos da culinária vietnamita. Produtos comercializados pelo Vietnã também foram apresentados em uma área de exposição. Foto: Claudia Godoy.

Segundo o embaixador, a declaração representou também uma afirmação de que todas as nações, grandes ou pequenas, têm direito à existência, à liberdade, à independência e à autodeterminação de seu próprio caminho de desenvolvimento.

Bui Van Nghi afirmou que, ao longo das últimas oito décadas, o povo vietnamita superou guerras, divisões nacionais, bloqueios, embargos, desastres naturais e profundas mudanças no ambiente internacional. Para ele, a independência, a autossuficiência, a resiliência, a solidariedade e a aspiração ao progresso permitiram ao Vietnã preservar sua soberania, sua unidade e sua integridade territorial, ao mesmo tempo em que reconstruía e desenvolvia o país.

O diplomata também destacou que 2026 marca o 40º aniversário do processo de renovação nacional conhecido como Doi Moi, iniciado em 1986. De acordo com o discurso, o Vietnã deixou de ser um país pobre e subdesenvolvido para se transformar em uma economia dinâmica, integrada à comunidade internacional e conectada às cadeias de fornecimento, produção, comércio e inovação da região Ásia-Pacífico.

Atualmente, o país mantém 17 acordos de livre comércio e busca consolidar uma nova etapa de desenvolvimento. Entre as metas mencionadas pelo embaixador estão tornar-se, até 2030, um país em desenvolvimento com indústria moderna e renda média alta, e alcançar a condição de país de alta renda até 2045.

Para alcançar esses objetivos, o Vietnã definiu como forças centrais a ciência, a tecnologia, a inovação, a transformação digital, a formação de recursos humanos qualificados e o crescimento verde. Bui Van Nghi afirmou ainda que o país manterá uma abordagem de desenvolvimento centrada nas pessoas, que devem ser simultaneamente protagonistas e beneficiárias finais do progresso.

O embaixador ressaltou que o Vietnã não sacrificará o meio ambiente, a equidade social e os interesses de longo prazo em busca de crescimento de curto prazo.

Política externa e multilateralismo

Na área externa, Bui Van Nghi afirmou que o Vietnã segue uma política baseada na independência, na autossuficiência, na paz, na amizade, na cooperação e no desenvolvimento, combinada à diversificação e à ampliação de suas relações internacionais.

O país, segundo ele, pretende atuar como amigo, parceiro confiável e integrante ativo e responsável da comunidade internacional. O diplomata reafirmou o apoio ao multilateralismo, o respeito à Carta das Nações Unidas e ao direito internacional, além da defesa da solução pacífica de disputas e diferenças.

Bui Van Nghi também destacou o compromisso vietnamita de trabalhar com a comunidade internacional para enfrentar as mudanças climáticas e os desafios relacionados à segurança alimentar e energética.

Brasil é parceiro estratégico

Ao abordar a relação bilateral, o embaixador afirmou que o Brasil ocupa um lugar muito importante na trajetória internacional do Vietnã. Depois de mais de 37 anos de relações diplomáticas, os dois países, segundo ele, entraram em uma nova etapa com a elevação do relacionamento ao nível de parceria estratégica.

Bui Van Nghi ressaltou que os intercâmbios de alto nível e os contatos em diferentes áreas se tornaram mais frequentes, enquanto a confiança política continua a se aprofundar. Brasil e Vietnã também coordenam posições nas Nações Unidas, na Organização Mundial do Comércio, no Brics e em mecanismos de cooperação Sul-Sul.

Os dois países compartilham posições sobre paz, desenvolvimento sustentável, reforma da governança global e fortalecimento do papel dos países em desenvolvimento nas decisões internacionais.

Em nome do governo brasileiro, Susan Kleebank transmitiu as congratulações do país ao governo e ao povo do Vietnã. Ela também agradeceu ao embaixador e à equipe da representação diplomática pelo trabalho de aproximação entre os dois países.

A representante do Itamaraty também informou que foram iniciadas negociações para um acordo preferencial de comércio entre o Mercosul e o Vietnã. Na avaliação brasileira, o entendimento poderá ampliar as oportunidades para empresas, facilitar o intercâmbio de pessoas e fortalecer os fluxos comerciais entre a América do Sul e o Sudeste Asiático. Foto: Claudia Godoy.

A secretária afirmou que, durante grande parte dos 37 anos de relações diplomáticas, Brasil e Vietnã foram países distantes, separados por cerca de 17 mil quilômetros, mas que compartilhavam interesses e necessidades que tornaram necessária uma aproximação maior.

Susan Kleebank mencionou como símbolos dessa amizade o comércio de produtos dos dois países e a aproximação entre as federações de futebol do Brasil e do Vietnã, que assinaram um memorando de entendimento. Para ela, o acordo representou um sinal de que a amizade bilateral foi construída para durar.

Comércio e acordo entre Mercosul e Vietnã

O comércio bilateral foi apresentado pelos dois representantes como um dos principais motores da aproximação. Bui Van Nghi informou que as trocas entre Brasil e Vietnã superaram US 15 bilhões em comércio bilateral até 2030 é ambiciosa, mas possível, desde que os dois lados removam barreiras, ampliem o acesso a mercados e criem condições mais favoráveis para as empresas.

Susan Kleebank apresentou outros dados para períodos distintos. De acordo com a secretária, o comércio bilateral alcançou aproximadamente US 4,2 bilhões apenas no primeiro semestre do ano em curso, com aumento próximo de 70% na comparação mencionada em seu discurso.

A representante do Itamaraty também informou que foram iniciadas negociações para um acordo preferencial de comércio entre o Mercosul e o Vietnã. Na avaliação brasileira, o entendimento poderá ampliar as oportunidades para empresas, facilitar o intercâmbio de pessoas e fortalecer os fluxos comerciais entre a América do Sul e o Sudeste Asiático.

A aproximação já se reflete, segundo Susan Kleebank, na presença de produtos dos dois países nos respectivos mercados. Ela citou a presença de carne bovina brasileira em mesas vietnamitas e a apreciação, no Brasil, de produtos e especialidades culinárias do Vietnã.

Cooperação em tecnologia, energia e agricultura

O Vietnã manifestou interesse em ampliar projetos conjuntos com o Brasil em alta tecnologia, agricultura, alimentos, combustíveis, energias renováveis, transição verde, ciência e tecnologia.

Bui Van Nghi incentivou ministérios, governos locais, universidades, centros de pesquisa e empresas a estabelecerem conexões diretas e a desenvolverem projetos apoiados por recursos definidos e roteiros claros de implementação.

O embaixador afirmou que o Vietnã está pronto para atuar como parceiro do Brasil na aproximação com a Ásia-Pacífico. Ao mesmo tempo, considerou o Brasil um interlocutor estratégico para a expansão da presença vietnamita na América do Sul e na América Latina.

Para o diplomata, a cooperação regional pode ajudar os dois países a se integrarem às cadeias globais de valor e a desenvolverem modelos efetivos de cooperação Sul-Sul.

Compromisso com o futuro da parceria

Ao final, Bui Van Nghi agradeceu ao governo brasileiro, ao Congresso Nacional, às autoridades federais e locais, ao setor empresarial, às universidades, às organizações de mídia e às entidades de amizade pelo apoio à relação bilateral.

O embaixador manifestou confiança de que a parceria estratégica entre Vietnã e Brasil continuará a se fortalecer de maneira sólida, substantiva e efetiva, contribuindo para a paz, a cooperação e o desenvolvimento das duas regiões e do mundo.

Susan Kleebank afirmou que Brasil e Vietnã compartilham pontos de vista sobre questões relevantes da agenda internacional, com ênfase no desenvolvimento sustentável e na construção de uma ordem internacional mais justa e representativa.

A aproximação já se reflete, segundo Susan Kleebank, na presença de produtos dos dois países nos respectivos mercados. Ela citou a presença de carne bovina brasileira em mesas vietnamitas e a apreciação, no Brasil, de produtos e especialidades culinárias do Vietnã. Foto: Claudia Godoy.
Militares presentes na celebração vietnamita em Brasília reforçaram o caráter institucional do grande evento. Foto: Claudia Godoy.
O comércio bilateral foi apresentado pelos dois representantes como um dos principais motores da aproximação. Foto:Claudia Godoy.
Susan Kleebank apresentou outros dados para períodos distintos. De acordo com a secretária, o comércio bilateral alcançou aproximadamente US 4,2 bilhões apenas no primeiro semestre do ano em curso, com aumento próximo de 70% na comparação mencionada em seu discurso. Foto: Claudia Godoy.

A cerimônia terminou com a reafirmação dos laços de amizade entre os dois países e com votos de paz, cooperação, felicidade e prosperidade para os povos brasileiro e vietnamita.

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