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O ritmo do samba não apenas embalou a festa, mas também ditou o tom da noite: celebração, gratidão e uma pitada de saudade.
A Embaixada do Reino dos Países Baixos em Brasília foi o cenário de um coquetel de despedida que reuniu amigos, colegas de trabalho e autoridades para se despedir dos diplomatas Jelle Floot e Nathalie Gonçalves Aurélio, que encerram suas missões no Brasil após um período intenso de trabalho e intensa integração cultural.
O evento, presidido pelo embaixador Aldrik Gierveld, foi muito mais do que uma simples despedida protocolar. Foi a materialização da “dança brasileira” incorporada pelos dois representantes holandeses, que deixaram o país levando consigo a lição mais valiosa que o Brasil ensina: a arte de celebrar a vida.
Uma lição de alegria e celebração
Em seu discurso de despedida, Nathalie Gonçalves Aurélio, que esteve no Brasil por cinco anos, destacou a alegria contagiante do povo brasileiro como o maior ensinamento que levará para sua próxima missão em Dar es Salaam, na Tanzânia.
“A coisa mais bonita que eu acho aqui no Brasil, não importa onde você esteja, se você é rico ou pobre, todo mundo pode celebrar a vida. E eles celebram a vida”, afirmou Nathalie, visivelmente emocionada. “Eu acho que essa é uma das maiores lições que eu aprendi aqui no meu tempo aqui, e que eu vou levar comigo para onde eu for, para sempre”, completou.
A diplomata, que percorreu 22 dos 27 estados brasileiros durante sua estadia, inclusive desafiando o embaixador em uma aposta para ver quem visitaria mais estados primeiro, expressou sua gratidão pelas oportunidades vividas. Ela recordou aventuras inusitadas, como dormir em uma rede na Amazônia em uma ilha deserta, e agradeceu à equipe da embaixada e aos amigos que a ajudaram a encontrar seu caminho profissional e pessoal.
Uma trajetória de dedicação e emoção
O diplomata Jelle Floot, que esteve no posto por dois anos, também compartilhou momentos de profunda emoção. Ele revelou que sua paixão pelo Brasil começou muito antes de sua carreira diplomática, culminando em sua primeira rota como comissário de bordo da KLM, justamente para o Brasil, e na escolha de estudar em Lisboa com o objetivo de um dia ser diplomata no país.
Floot, que assumirá a coordenação de Direitos Humanos no Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra, destacou a transformação pessoal que o Brasil lhe proporcionou. “Aqui eu fiz amigos de origens inimagináveis, muitos dos quais estão aqui conosco hoje. Aqui eu viajei, eu me apaixonei, eu me desapaixonei. Eu derramei lágrimas de alegria, risos e gratidão”, relatou.
O diplomata fez questão de ressaltar o profissionalismo e o companheirismo de sua equipe na embaixada, agradecendo ao embaixador Gierveld por “agudizar seu instinto político” e à sua gestora direta, Hind, pelo apoio inabalável. Ele encerrou seu discurso com uma homenagem ao Brasil, citando o autor brasileiro: “A realidade não está na partida nem na chegada, ela se revela durante a travessia. E isso parece verdadeiro. Porque o que eu vou levar comigo não são os lugares que visitei… são vocês, as pessoas”, concluiu.
A “solid pair of hands” holandesa
O embaixador Aldrik Gierveld conduziu a noite com elegância e humor, elogiando publicamente o trabalho impecável de ambos os diplomatas. Ele ressaltou o excelente domínio do idioma português por parte dos dois, o que facilitou uma compreensão profunda da cultura e da política local.
Ao comentar sobre Nathalie, o embaixador a descreveu como uma “solid pair of hands” (um par de mãos sólidas), elogiando seu trabalho incansável nos temas econômicos, especialmente seu papel crucial na preparação para a COP 30 em Belém. Já sobre Jelle, Gierveld destacou sua competência em relatórios políticos, diplomacia pública, cultura e assuntos da ONU, além de sua organização impecável nos eventos do Dia do Rei.
“Felizmente, infelizmente. Isso faz parte da vida dos diplomáticos”, ponderou o embaixador ao anunciar a partida dos dois, agradecendo a presença de tantos amigos que vieram prestigiar a despedida.
A noite na Embaixada dos Países Baixos terminou com música, abraços e promessas de reencontro. Nathalie e Jelle partem levando um pedaço do Brasil, provando que a diplomacia vai muito além de reuniões formais e documentos assinados, tocando o coração das pessoas e criando laços que transcendem as fronteiras.
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