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Cuba Aprova Maiores Reformas Econômicas em Décades em Meio a Bloqueio Energético e Tensões com os EUA

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Em uma sessão histórica da Assembleia Nacional do Poder Popular (ANPP) realizada em Havana, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez anunciou a aprovação de um amplo pacote de 176 medidas de transformação econômica e social. O pacote, considerado o mais significativo ajuste na economia do país desde a Revolução de 1959, visa flexibilizar o mercado privado e atrair investimentos estrangeiros em meio a um severo cerco energético imposto pelos Estados Unidos.

Durante o discurso de encerramento da sétima sessão ordinária do parlamento, Díaz-Canel fez duras críticas à política externa norte-americana, caracterizando o atual governo dos EUA como um “regime neofascista” e denunciando o que classificou como um “cerco energético genocida”.

Contexto Internacional e Tensões


O presidente cubano iniciou seu discurso prestando homenagem ao falecido Comandante da Revolução Ramiro Valdés Menéndez, falecido em 21 de junho de 2026, antes de abordar o cenário internacional, que classificou como “extremamente complexo e ameaçador”. Díaz-Canel referiu-se diretamente à recente agressão militar dos Estados Unidos na Venezuela e à captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores no início de janeiro de 2026.

Segundo o líder cubano, a Ordem Executiva 14380, assinada pelo presidente Donald Trump em 29 de janeiro de 2026, instituiu um bloqueio de combustível sem precedentes contra Cuba. “Devido a essa arbitrariedade, Cuba só recebeu um navio de combustível nos últimos sete meses”, afirmou Díaz-Canel, alertando que a crise energética tem impacto direto na agricultura, na indústria e nos serviços públicos, especialmente no abastecimento de água e no sistema de saúde.

A tensão diplomática entre os dois países foi um dos temas centrais da semana, refletida também na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 7 de julho de 2026, a ONU realizou uma sessão especial a pedido de Cuba, na qual 136 países votaram a favor de debater o fim do bloqueio econômico norte-americano contra a ilha, com apenas 9 votos contra (incluindo os EUA e Israel) e 30 abstenções.

As 176 Medidas Econômicas


Diante do cenário de escassez e pressão externa, o governo cubano avançou com a aprovação das 176 medidas de transformação econômica e social. O programa, que vem sendo debatido desde a consulta popular no final de 2025, inclui mudanças estruturais no modelo econômico da ilha caribenha.

“As transformações que implementamos hoje não são para mais capitalismo, mas para defender e avançar na construção socialista”, garantiu Díaz-Canel, em uma tentativa de acalmar preocupações internas sobre a perda de conquistas sociais e o surgimento de desigualdades. Ele assegurou que setores estratégicos como saúde, educação, ciência e cultura não serão privatizados.

Entre as principais mudanças aprovadas pela ANPP, destacam-se a flexibilização das restrições ao uso da terra estatal, a autorização para que empresas privadas participem do comércio exterior, incluindo a importação de combustíveis e medicamentos, e a criação de novas zonas econômicas especiais.

A Reuters relatou que o governo já autorizou a primeira joint venture estrangeira para importar e vender combustível na ilha, além de conceder permissão para que quase 200 empresas cubanas atuem na distribuição de combustível no atacado. Até o momento, 120 das 176 medidas já estão prontas para aplicação.

Desafios e Perspectivas


O primeiro-ministro Manuel Marrero Cruz, em discurso ao parlamento, reconheceu que o país atravessa uma “fase que não podemos parar”, mas alertou que a implementação das reformas será gradual. “Os resultados serão alcançados aos poucos. A partir de agora, começa a etapa mais importante e talvez a mais difícil”, afirmou Marrero.

O cenário cubano apresenta desafios monumentais. Quase três quartos dos hotéis da ilha estão fechados devido à saída de grandes operadoras internacionais e ao cancelamento de rotas aéreas, consequências diretas das sanções secundárias impostas pelos EUA. Além disso, a frequência dos apagões nacionais tem afetado profundamente a qualidade de vida da população.

Em seu discurso, Díaz-Canel apelou ao “heroísmo cotidiano do povo” e à descentralização econômica, afirmando que a recuperação social deve andar de mãos dadas com a recuperação econômica. O líder cubano concluiu suas palavras reafirmando a independência da ilha e fazendo referência ao centenário de Fidel Castro, que será celebrado em agosto.

“Fidel vive e promete continuar lutando por um mundo melhor”, declarou Díaz-Canel, encerrando a sessão entre aplausos e exclamações de “Pátria ou Morte”.

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