quinta-feira, 22 outubro, 2026
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Embaixador de Cuba celebra Dia da Rebeldia em Brasília

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Em discurso proferido, na última semana, no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília, o embaixador da República de Cuba, Victor Manuel Cairo Palomo, utilizou a celebração do 73º aniversário do Dia da Rebeldia Nacional Cubana para denunciar o que classificou como uma “política genocida” dos Estados Unidos contra a ilha.

“A mesma fé no destino da pátria. A mesma confiança nas virtudes do nosso povo. A mesma certeza da vitória”, disse o diplomata, destacando que as novas gerações cubanas lutam inspiradas no pensamento de Fidel Castro, cujos cem anos de nascimento também se completam em 2026. Fotos: Claudia Godoy

Durante o ato organizado pela Embaixada de Cuba em conjunto com o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba, o diplomata traçou um paralelo histórico entre os ataques aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, em 1953, e a atual conjuntura de “cerco energético e apagões” enfrentada pelo povo cubano.


Ao longo de sua fala, Cairo Palomo enalteceu as raízes latino-americanas da resistência cubana, citando o pensamento de José Martí em seu ensaio “Nuestra América” (1891) e os 240 anos do nascimento de Simón Bolívar. Foto: Claudia Godoy

De Monroe a “Nuestra América”

Vídeos com discursos icônicos do líder cubano Fidel Castro foram exibidos para os convidados. Foto; Claudia Godoy.


Ao longo de sua fala, Cairo Palomo enalteceu as raízes latino-americanas da resistência cubana, citando o pensamento de José Martí em seu ensaio “Nuestra América” (1891) e os 240 anos do nascimento de Simón Bolívar. O embaixador ressaltou a continuidade histórica da luta pela soberania na região, desde Carlos Manuel de Céspedes (1868), passando por Martí (1895), até o triunfo da Revolução liderada por Fidel Castro (1959).

A música fez parte da celebração e emocionou a todos os presentes. Foto: Claudia Godoy

“A mesma fé no destino da pátria. A mesma confiança nas virtudes do nosso povo. A mesma certeza da vitória”, disse o diplomata, destacando que as novas gerações cubanas lutam inspiradas no pensamento de Fidel Castro, cujos cem anos de nascimento também se completam em 2026.

Para o embaixador, a história demonstrou que a subestimação do movimento revolucionário tem sido um erro recorrente. Ele lembrou que, em julho de 1953, diplomatas de diversos países, incluindo o Brasil, interpretaram a ação armada como um ato isolado de rebeldes, sem compreender o alcance histórico do evento. Segundo Palomo, a atual administração norte-americana comete “o mesmo erro” ao não entender a história de resistência do povo cubano.

Discursos emocionados do Movimento de Solidariedade a Cuba fizeram parte da celebração. Foto: Claudia Godoy

“Cuba não é uma ameaça”


O ponto central do discurso foi a denúncia das condições extremas impostas à ilha pelo governo dos Estados Unidos. Cairo Palomo relatou a realidade de apagões que ultrapassam vinte horas diárias, a ruptura na distribuição de medicamentos e o asfixiamento econômico provocado pelo bloqueio naval e energético.

“Hoje podemos falar a nome de milhões de cubanos que sofrem o cerco energético, apagões, falta de medicamentos e de todas as condições de guerra impostas pela política genocida dos Estados Unidos contra Cuba”, afirmou o embaixador.

A comunidade cubana residente no Brasil também estava presente com o testemunho de uma história repleta de bravura dos líderes cubanos. Foto: Claudia Godoy

O diplomata rechaçou a narrativa de Washington de que a ilha representaria uma ameaça à segurança norte-americana, invertendo a lógica de agressão: “Cuba não é uma ameaça para os Estados Unidos. O bloqueio é uma ameaça para o povo cubano e para a América Latina e o Caribe. Uma guerra contra Cuba seria uma ameaça à estabilidade do nosso continente”, alertou.

Resistência contra o “neofascismo”
Cairo Palomo também abordou o cenário geopolítico global, descrevendo um mundo ameaçado pelos interesses de uma “élite neoconservadora” nos EUA. Ele criticou as ordens executivas do presidente Donald Trump e as ações do secretário de Estado Marco Rubio, classificando a ofensiva como um “ideário neofascista”.

A culinária cubana estava presente com bebidas icônicas, como a Cuba Libre e pão recheado com porco. Foto: Claudia Godoy

Apesar do cenário catastrófico, o chefe da missão diplomática em Brasília exaltou a resiliência de Cuba e sua vocação internacionalista.

“Cuba sob as bombas será capaz de mostrar soberania, liberdade, dignidade e solidariedade. Com a chama da liberdade e disposta a resistir até a vitória”, concluiu o embaixador, finalizando com os tradicionais lemas revolucionários: “Cuba sim, bloqueio não. Pátria ou morte, venceremos”.

A Cuba Libre foi servida a todos os convidados. Foto: Claudia Godoy

O ato na Biblioteca Nacional contou com pronunciamentos sobre a importância histórica da data e apresentação do grupo Sabor de Cuba, que levou um repertório inspirado na música tradicional da ilha.

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