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Em discurso proferido, na última semana, no auditório da Biblioteca Nacional de Brasília, o embaixador da República de Cuba, Victor Manuel Cairo Palomo, utilizou a celebração do 73º aniversário do Dia da Rebeldia Nacional Cubana para denunciar o que classificou como uma “política genocida” dos Estados Unidos contra a ilha.

Durante o ato organizado pela Embaixada de Cuba em conjunto com o Movimento Brasileiro de Solidariedade com Cuba, o diplomata traçou um paralelo histórico entre os ataques aos quartéis Moncada e Carlos Manuel de Céspedes, em 1953, e a atual conjuntura de “cerco energético e apagões” enfrentada pelo povo cubano.

Ao longo de sua fala, Cairo Palomo enalteceu as raízes latino-americanas da resistência cubana, citando o pensamento de José Martí em seu ensaio “Nuestra América” (1891) e os 240 anos do nascimento de Simón Bolívar. Foto: Claudia Godoy
De Monroe a “Nuestra América”

Ao longo de sua fala, Cairo Palomo enalteceu as raízes latino-americanas da resistência cubana, citando o pensamento de José Martí em seu ensaio “Nuestra América” (1891) e os 240 anos do nascimento de Simón Bolívar. O embaixador ressaltou a continuidade histórica da luta pela soberania na região, desde Carlos Manuel de Céspedes (1868), passando por Martí (1895), até o triunfo da Revolução liderada por Fidel Castro (1959).

“A mesma fé no destino da pátria. A mesma confiança nas virtudes do nosso povo. A mesma certeza da vitória”, disse o diplomata, destacando que as novas gerações cubanas lutam inspiradas no pensamento de Fidel Castro, cujos cem anos de nascimento também se completam em 2026.
Para o embaixador, a história demonstrou que a subestimação do movimento revolucionário tem sido um erro recorrente. Ele lembrou que, em julho de 1953, diplomatas de diversos países, incluindo o Brasil, interpretaram a ação armada como um ato isolado de rebeldes, sem compreender o alcance histórico do evento. Segundo Palomo, a atual administração norte-americana comete “o mesmo erro” ao não entender a história de resistência do povo cubano.

“Cuba não é uma ameaça”
O ponto central do discurso foi a denúncia das condições extremas impostas à ilha pelo governo dos Estados Unidos. Cairo Palomo relatou a realidade de apagões que ultrapassam vinte horas diárias, a ruptura na distribuição de medicamentos e o asfixiamento econômico provocado pelo bloqueio naval e energético.
“Hoje podemos falar a nome de milhões de cubanos que sofrem o cerco energético, apagões, falta de medicamentos e de todas as condições de guerra impostas pela política genocida dos Estados Unidos contra Cuba”, afirmou o embaixador.

O diplomata rechaçou a narrativa de Washington de que a ilha representaria uma ameaça à segurança norte-americana, invertendo a lógica de agressão: “Cuba não é uma ameaça para os Estados Unidos. O bloqueio é uma ameaça para o povo cubano e para a América Latina e o Caribe. Uma guerra contra Cuba seria uma ameaça à estabilidade do nosso continente”, alertou.
Resistência contra o “neofascismo”
Cairo Palomo também abordou o cenário geopolítico global, descrevendo um mundo ameaçado pelos interesses de uma “élite neoconservadora” nos EUA. Ele criticou as ordens executivas do presidente Donald Trump e as ações do secretário de Estado Marco Rubio, classificando a ofensiva como um “ideário neofascista”.

Apesar do cenário catastrófico, o chefe da missão diplomática em Brasília exaltou a resiliência de Cuba e sua vocação internacionalista.
“Cuba sob as bombas será capaz de mostrar soberania, liberdade, dignidade e solidariedade. Com a chama da liberdade e disposta a resistir até a vitória”, concluiu o embaixador, finalizando com os tradicionais lemas revolucionários: “Cuba sim, bloqueio não. Pátria ou morte, venceremos”.

O ato na Biblioteca Nacional contou com pronunciamentos sobre a importância histórica da data e apresentação do grupo Sabor de Cuba, que levou um repertório inspirado na música tradicional da ilha.
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